O que você não sabe sobre a Semana de 22
- Giovanna Campos
- 18 de jun. de 2018
- 3 min de leitura
Atualizado: 18 de jul. de 2018

Em 1922, 100 anos após a Independência de Pedro Álvares Cabral, o país agora passava por um processo de independência cultural. Esse processo ficou conhecido como Semana de Arte Moderna e revolucionou a arte, a arquitetura e a literatura no Brasil. Rompendo com o academicismo que pairava sobre a arte no país, a Semana de 22 foi o maior marco do modernismo brasileiro.
Baseando-se nas vanguardas europeias, a intenção de seus organizadores era renovar e recriar uma arte genuinamente brasileira. Porém, especificamente na sexta arte, a literatura, o movimento contou com nomes como Mário e Oswald de Andrade, Graça Aranha, Plínio Salgado e Sérgio Millet. Hoje a Semana de Arte Moderna é internacionalmente respeitada, no entanto, na época não foi bem assim.

Veja agora algumas coisas que você não sabe sobre a Semana de 22:
1 - Era pra ser uma semana, mas só durou 3 dias
Programada para 7 dias consecutivos, a Semana de Arte Moderna, na verdade, durou apenas três dias, alternados. O evento esteve anunciado e programado para ocorrer entre os dias 11 e 18 de fevereiro, mas o Theatro foi aberto para as exposições nos dias 13, 15 e 17. Em cada dia, as apresentações foram divididas por tema: no dia 13, pintura e escultura; no dia 15, a literatura; e no dia 17, a música. Ironicamente, alguns dos nomes mais importantes do Modernismo não estiveram presentes na Semana. É o caso de Tarsila do Amaral, provavelmente a pintora mais conhecida do movimento, que estava em Paris, e Manuel Bandeira, que ficou doente e faltou à declamação do seu próprio poema, Os sapos, no segundo dia.
2 - As farpas entre Anita Malfatti e Monteiro Lobato
Em 1917, Anita Malfatti, recém-chegada da Europa, montou uma exposição com suas obras em São Paulo, considerada a primeira exposição modernista do Brasil. No dia 20 de dezembro, o escritor Monteiro Lobato publicou um artigo no jornal O Estado de S. Paulo que sacudiu a sociedade e a crítica.
Com o título de “Paranoia ou mistificação?”, o artigo critica ferozmente a exposição de Malfatti, apesar de reconhecer seu talento. Ao longo do texto, ele diz que as formas distorcidas e abstratas representadas nas obras modernistas seriam fruto de “cérebros transtornados por psicoses” e defende a arte tradicional da época, dizendo que “todas as artes são regidas por princípios imutáveis”. O resultado: uma extensa briga entre defensores dos movimentos modernistas e apoiadores da arte clássica.
3 - Os tomates atirados em Oswald
Em muitos momentos durante o evento, principalmente em seu primeiro dia, os organizadores surpreenderam o público com os conceitos artísticos e estéticos que apresentavam. Porém, no caso de Oswald de Andrade, a questão foi puramente de extravagância. Os boatos que correm no meio acadêmico, entre os estudiosos da semana, é que o idealizador da Semana pagou para que estudantes do Largo São Francisco, escola de direito da USP, atirassem tomates nele durante a declamação de um poema. O motivo? Simplesmente pela polêmica.
4 - Os Sapos de Manuel e as vaias
Ficou claro, durante o evento, que o público que compareceu não estava preparado para tanto modernismo. O caso mais evidente foi durante o poema “Os Sapos”, de Manuel Bandeira, declamado por Ronald de Carvalho na segunda noite da Semana. A obra, que ironizava o movimento parnasiano (que buscava a perfeição formal dos versos e ao qual se opõe o modernismo), recebeu uma sonora vaia dos presentes.
5 - Villa-Lobos de chinelos
O descontentamento foi tanto que proporcionou, inclusive, muitas situações cômicas. No dia 17 de fevereiro, o último da semana, Heitor Villa-Lobos se apresentou no evento. Ele, porém, entrou no palco calçando um pé de sapato e em outro chinelo. Para os espectadores, tratava-se de uma manifestação modernista, que foi considerada desrespeitosa e foi vaiada. O músico, porém, que é considerado um “anti-modernista”, se justificou dizendo que o motivo para ele estar usando chinelo, na verdade, foi que estava com um calo inchado no pé.
A semana de 22 acabou, mas suas marcas continuam vivas na cultura brasileira. Recentemente, o rapper Fábio Brazza, lançou seu álbum novo, inspirado em preceitos modernistas, como já se percebe no nome. Fábio -neto do poeta concretista Ronaldo de Azeredo- traz a poesia no sangue. Não deixe de conferir:




semana de 22, que arraso <3 chocada com o boato dos tomates kkkkk