top of page

A Clarice Lispector que você não conhece

  • Foto do escritor: Giovanna Campos
    Giovanna Campos
  • 9 de jul. de 2018
  • 3 min de leitura

Alguns a conhecem pelas leituras obrigatórias do Ensino Médio, outros na faculdade e outros, infelizmente, através de suas frases soltas na internet. Porém, uma coisa é certa, não há um que não conheça o nome Clarice Lispector. Mas você conhece a menina Clarice, órfã de mãe, judia e refugiada aos 2 meses de idade?

10 de dezembro de 1920 em um cenário sombrio de pobreza, fome e antissemitismo, nasceu Chaya Pinkhasovna Lispector, uma das maiores escritoras que o mundo conheceria

Clarice Lispector nasceu em uma pequena aldeia da Ucrânia, que nem sequer figura no mapa de tão pequena, chamada Tchechelnik. Filha do comerciante Phinkas Lispector e da dona de casa Mania Lispector, tinha tudo para ser apenas mais um número na lista de 6 milhões de judeus perseguidos e mortos. No entanto, 10 de dezembro de 1920 em um cenário sombrio de pobreza, fome e antissemitismo, nasceu Chaya Pinkhasovna Lispector, uma das maiores escritoras que o mundo conheceria.


Foto: Revista Istoé

A autora de romances consagrados como "Perto do Coração Selvagem", "Paixão Segundo GH" e "A Hora da Estrela" formou-se em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e trabalhou como jornalista grande parte de sua vida. Essa Clarice ficcionista todos conhecem, poucos, no entanto, sabem como se iniciou a trajetória da Clarice jornalista. Seu primeiro registro em carteira de trabalho foi no jornal A Noite, como repórter. Seu trabalho como jornalista somou em torno de 5 mil textos e mais de 100 entrevistas .



Entrevistou grandes nomes como Tom Jobim, Elke Maravilha e Rubem Braga. Apesar do profissionalismo objetivo e factual do jornalismo, Clarice nunca abandonou o seu traço "clariceano" de revirar o leitor por dentro, fazê-lo olhar para si e se entregar às verdades do mundo da maneira mais intensa possível com uma simples leitura, seja ela um conto, crônica ou entrevista. É nas páginas da revista Pan que Clarice consegue , a primeira publicação que se tem registro do seu trabalho ficcional, com cuidada diagramação e ilustração. A novela "Triunfo", que estreia em Pan, já esboça o tom intimista e o perfil psicológico das personagens clariceanas.


No entanto, quase nada foram flores na vida da escritora. Na revista Vamos Ler!, Clarice procura Raymundo Magalhães Junior e lhe mostra o novo conto. Feita a leitura, ele indaga se ela teria copiado de alguém ou traduzido. Porém, com muito custo, teve seu conto publicado e trabalhou na revista por muitos anos. Depois, trabalha como repórter na Agencia Nacional e tem matérias difundidas no Diário do Povo. Em 1941, realiza uma enquete com colegas universitárias de título "Deve a mulher trabalhar" e problematiza uma questão muito difundida da época.

"Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome". Clarice Lispector

Através de suas colunas e romances Clarice tematizou questões importantes no que se refere ao papel da mulher na sociedade, a opressão policial e a desigualdade social vigente no país. Porém, ao mesmo tempo, que a autora defendia a igualdade de gênero e a liberdade da mulher em alguns escritos, anos depois, escreveu sob postura tradicional e conservadora ao Comício. Sob o pseudônimo de Tereza Quadros, Clarice escreve na página "Entre Mulheres" receitas de beleza e do bem viver.

“Boa aparência é uma das coisas importantes para a mulher que trabalha. Por isso, não deixe faltar em sua bolsa um estojo de pó compacto para retocar a maquiagem (...) Sua presença no escritório deve ser motivo de orgulho para o seu chefe”.

Difícil acreditar que a mesma Clarice de "Perto do Coração Selvagem" escreveu tamanha frivolidade. Porém, é necessário entender que esses pseudônimos não devem ser lidos como obra de Clarice Lispector. Por quê? A mestre em Clarice Lispector pela Universidade Federal de Goiás, Luana Silva Borges, nos explica no documentário abaixo. O documentário foi um produto experimental da disciplina de Jornalismo em Rádio. Não deixe de conferir.



Gostou do post e quer conhecer um pouco mais do trabalho da escritora enquanto jornalista? A editora Rocco lançou a edição "Clarice na cabeceira: jornalismo". Para comprar, clique aqui.

 
 
 

Comentários


© 2018 por Superlativo. Criado com Wix.com

ENTRE EM CONTATO CONOSCO!

Obrigado! Mensagem enviada.

bottom of page