Distopias Brasileiras
- Lucas Humberto
- 11 de jun. de 2018
- 3 min de leitura
Atualizado: 18 de jun. de 2018

A palavra Utopia apareceu pela primeira vez no livro -de mesmo nome- do autor Thomas More, obra essa em que o escritor descreve uma ilha geograficamente indefinida, onde toda a sociedade se encontra em um estado de paz e igualdade. A distopia é, em linhas gerais, o contrário da utopia, que apresenta uma sociedade futurística na qual o governo é autoritário, corrupto e a tecnologia é usada como uma forma de controle social, em suma, a sociedade vive de uma maneira catastrófica.
Nos últimos anos houve um boom das distopias na literatura e no cinema. Livros infanto-juvenis que apresentaram esse assunto se tornaram best-seller e foram adaptados para as telonas, se tornando verdadeiros sucessos. A franquia Jogos Vorazes, por exemplo, talvez seja o maior exemplo de sucesso que abordou a distopia mais recentemente.
Franquias como a série de livros Divergente e Maze Runner, também se tornaram sucesso entre o público jovem e ganharam adaptações cinematográficas. Entretanto, existem verdadeiros clássicos da distopia que são consideradas obras atemporais, como por exemplo o icônico 1984, de Geoge Orwell, ou também Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley.
As distopias usualmente exageram o discurso pessimista, para servir como uma alerta para a sociedade. No Brasil, há também grandes distopias que merecem ser conhecidas para refletir sobre os rumos que o país está traçando. Conheça algumas a seguir:
1 - Não Verás País Nenhum, é um livro escrito por Ignácio de Loyola Brandão no ano de 1981. Nele, o Brasil está em um futuro indeterminado, a Amazônia virou um deserto, a sociedade está dividida em castas e os mais pobres sobrevivem do lixo acumulado, já que não há água e comida para todos. Qualquer manifestação é reprimida violentamente, visto que o país é dominado por um governo autoritário chamado Esquema.
É a distopia brasileira mais famosa e historicamente conhecida, e mesmo sendo escrito no início da década de 80, chama atenção para problemas sociais vivenciados atualmente, como o aquecimento global, governos autoritários e desigualdade social.
2 - Admirável Brasil Novo, foi escrito por Ruy Tapioca e publicado em 2001. O livro é ambientando no Rio de Janeiro, e é uma sátira que tenta prever o futuro do Brasil nas próximas 5 décadas. Assuntos que vivenciamos atualmente são tidos como normais e cotidianos, como por exemplo o desemprego, a corrupção e a poluição. A situação política é catastrófica: o país é governado por um bispo evangélico, e os partidos políticos estão categorizados em apenas dois: os conformistas e inconformistas.
O livro também traz um olhar para a mídia brasileira, que no contexto possui uma TV sensacionalista, vulgar, e o nosso futebol está entre os piores do mundo. Uma curiosidade do livro, é que para apresentar uma nova dança do futuro, ele faz a junção de duas palavras, bunda e axé, que resulta em bundaxé. Algo parecido é feito no livro 1984, onde a junção de duas palavras pra formar outra é muito comum. Entretanto, na obra de Ruy Tapioca, isso é feito de forma satírica.
3 - Sombras de reis barbudos, é um livro de José J. Veiga, publicado em 1972, em plena ditadura militar. É um pouco diferente dos outros apresentados, uma vez que não analisa o futuro, e parte para o realismo fantástico e insólito. A obra é contada do ponto de vista do adolescente Lucas, que fala sobre as transformações da pequena cidade de Taitara, após a chegada de uma Companhia, que a partir dos seus atos tirânicos, vai minando toda a liberdade dos cidadãos.
No início a Companhia deveria trazer coisas boas para a comunidade de Taitara, mas no decorrer desse processo, as coisas mudam: as pessoas que vão trabalhar na Companhia começam a agir de forma autoritária e a censura e tirania começam a ser implantadas de forma cada vez mais fortes. Muros começam a ser construídos e os cidadãos ficam sem ter distração alguma. É importante ressaltar que o período histórico diz muito sobre a obra, logo é possível perceber traços de crítica à ditadura em que o Brasil estava.
O realismo fantástico e insólito é muito presente no livro, o que talvez o distancie um pouco das distopias mais usuais, mas os traços de um governo autoritário e as estruturas de poder são típicas de obras distópicas. É possível perceber também, certas metáforas como por exemplo, o nome de um dos personagens do livro, Baltazar, faz alusão a um dos reis magos que visitou Jesus. Com certeza é uma obra que merece ser apreciada em sua completude.
Bônus: 3% - A série brasileira tem características de uma distopia e narra a história de um grupo de jovens que devem passar por uma série de provas para poder sair da pobreza em que vivem e chegar ao Maralto, que seria o exemplo de sociedade ideal para se viver.



ai, distopias são incríveis demais! texto ótimo <3